A crónica diária de Carlos Castro
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Eu conto como foi: Victor Mendes
14-03-2010

Nasceu a 1 de Abril de 1938. O Dia das Mentiras, como por vezes gostava de dizer a brincar. Afinal, era um homem extraordinário, um chefe de família invulgar. O pai do conhecido e famoso Fernando Mendes cedo começou no teatro.

Estreia-se na revista ‘O Gesto é Tudo' e no Teatro Maria Vitória. Para além de saber gracejar com o seu enorme peso, ele cativava todo o público, com aquela forma sábia de contar histórias. Um actor que muitas vezes não foi aproveitado devidamente, mas que soube sempre manter a sua posição no meio artístico. São muitas as revistas em que participou.

No Teatro Maria Vitória, no ABC, ou Variedades, por exemplo. Ao lado de grandes nomes. De Henrique Santana a Salvador, ou Mariema, até Octávio de Matos e Nicolau Breyner e tantos outros. Com Florbela Queiroz trabalhou imenso nos palcos. Gravou discos com algumas rábulas inesquecíveis. De salientar ‘O Nabo Mecânico' ou ‘O Exorcista da Moita' (de Jorge Fontes e Eduardo Damas) e ainda ‘A Banda dos Gagos' de plena comicidade.

A revista ‘Força, Força, Camarada Zé' deu-lhe uma outra passada. Ou em ‘Cada Cor seu Paladar' com Hermínia e Ribeirinho. No cinema os seus personagens eram sempre populares. E com Laura Alves esteve impagável em ‘Parque das Ilusões'.

O Teatro Villaret, em Lisboa, prestou uma emocionante homenagem ao actor, descerrando uma placa e na estreia da peça de seu filho, o grande vencedor das audiências televisivas.

Foi um homem de muitos afectos. Simpático e sempre atento aos problemas de toda a gente. Queria abraçar todas as causas com aquele grande corpo e um coração de ouro. Casado com a simpática Lídia e pai do grande Fernando, o Victor Mendes morre a 3 de Abril de 1980. 

OS ELOGIOS DE FLORBELA

Victor Mendes morreu quando tinha apenas 42 anos de idade e deixou saudades entre familiares, amigos e os muitos colegas de profissão. É de forma emocionada que Florbela Queiroz recorda o enorme talento e personalidade do pai de Fernando Mendes, que considera de uma generosidade sem fim. Afinal, ele para a Florbela Queiroz era sem dúvida "aquele grande gigante tremendamente generoso". 

UMA FIGURA CATIVANTE

Desde cedo que Victor Mendes cativou o público, não só pelo seu talento como também pela forma sábia como contava histórias. O actor, que se estreou no Teatro Maria Vitória, conta com um sem-número de participações em revistas ou no cinema, onde interpretava sempre personagens populares.

Apesar do enorme talento, nem sempre as suas potencialidades foram devidamente aproveitadas. 

Carlos Castro (carlos.castro.jornal@gmail.com)
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